uma azia. e com ela recebo do fim da noite. o que poderia não ser anunciada tão recorrente como esta chuva desses dias. digitações ordinárias comungam e arrotam algo não digerido ou não digitado. que cansaço não poder recuar e permanecer no sofá de onde parto para o lugar que não alcanço sem esforço ardente. ver da nuca ao  pelo e pela metade, ao meio. ver menos. como quem desaprende o que não gosta, por treinar a escrita não ensaiada, que se desprepara para  o que desconfia. não saber ainda se cobra que saiba. um medo enrustido que se anuncia, sem medo, provoca o correto a se desexplicar em si mesmo, sem lógica. o que não escreve por não crer nem ver. o que não guardar do íntimo. há lugares que só, entramos a sós, e não há como fotocopiar as chaves. não se abrem a mais ninguém.

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Uma escrita materna

Que se revela no cotidiano

Entre panelas e bacias

Estendendo a criação

No varal ao vento

flana

anda por aí, sem rumo
anda ocioso sem destino

anda

e não tem chegada

que não seja
ponto de partida

o que não sei

Suspenso no tempo do quando.
19:48  no instante que não sinto fome, ouço soar o estômago do que ainda estou digerindo no pensamento.  não me sinto saciada. nas palavras. o que veio é que não sei.
o que não sei se mantém. é leal. só  posso não saber o que não sei? não sei, o vejo crescer e dou o que comer.  é vasto e dura. o quê não sei como está comigo! o quê é não sei, não sei, mas posso dizer que não sei é muito a vontade todo dia em mim, abunda.  diante das quedas as minhas os enigmas dos sonhos, os infortúnios da vida. o que não sei colocou uma escuta para muito. ouve dores em valas. sabe de loucuras a pouco assassinada.  diz ao que não sei que é quem ouve na hora, que tem segundos de ser irreconhecível. de mapear formas para o adeus, porque o que era chão vira soco.
o que não sei com seu espelho partido na memória não quer vestir a roupa do ter que viver. a dor da raiz, que o que não sei  rachou o quase . o que não sei neste instante está erguido do tombo, no peito. o que não sei  nos próprios soluços.  e por isso o que não sei se cala e sente e senta. Onde descanso.

de um natal para o outro ou oque não nasce senão no desencontro
eu percebo que percebo as diferenças e elas não são as roupas, os cabelos brancos, o pinheiro menor, o cardápio sempre o mesmo hedonismo, menos em muitos nos gestos, eu vejo das pessoas, cada uma, meus olhos como se fizessem um zoom  no que  cala, como a força mínima das mãos na hora do aperto
este natal não foi, mais uma vez, estamos ao contrário e não há reparos
não há  rancho no coletivo dos Bardos, me diz nos pensamentos a Patricia que diz a revolta nos meus pensamentos,  como  padeço a dor do viver.  penso  Maria, minha mãe pobre desta época, sem teto para um filho, que vai descalço pelo caminho do quando
até lhe roubarem a saúde. o irmão, o meu.

nasço depois de morrer em mim essa  forma de ouvir o mundo
que jamais seremos, de novo. salga meu rosto
ver nas mãos desta  Maria  que abre a sacola e desdobra as toalhas
bordados no esquecimento.  memória que só existe porque criou
seguro nas mãos este tecido em tear  pelo tempo das mãos
seguro as lágrimas e caio com os panos, o que me faz rachaduras como se aberturas, feridas
por onde a luz entra e assim eu vou para a festa que não é natal. é fatal. e tenho a companhia da criança que me olha e diz dos meus olhos, com olhos de solidariedade “estás chorando em silêncio?” espantada lhe retorno a pergunta  “por que?” “porque estão molhados” ele me diz. ele avistou o mar que há em não ser. natal e gente. ele, o menino me conta que existem mais de 300 espécies de dinossauros diferentes e vi nesta hora que nosso assunto o que está em extinção
o menino me conta que o T REX, ele caía, era uma espécie de dino que não dava muitas vezes conta de carregar a própria cabeça e para levantar poderia demorar mais de uma hora
percebi que ele falava de algo além, do tempo e de uma imagem poética ele falava da metáfora, ele nao tinha informações, ele experienciava esse mundo extinto.
notei que embaixo da sua boca, uma cicatriz. Vermelha  ele não falou nada dela, mas ela me dizia que ele caiu de cabeçabou de boca no mundo. A queda  vai para o interior das fissuras. podem ser rachaduras e nessas marcas o tempo sem pressa de luz aprende passagens na sombra. Onde não se fala, o que cala diz.

doze de doze de dois mil e dezessete f(r)ases de Aurora

não é novo nem é velho
é só enferrujado, é fedido
e é de se ver no espelho
porque não gosta de água

canta Aurora essas palavras
continua

estou treinando
meu lançamento, ela diz

com a fita
que dança nas mãos
e asas nos pés
desenha no ar
com tom laranja
curvas

canta mais

tem que aprender alguma coisa
tem que aprender alguma coisa
com a professora
como a tia thays anota na agenda
a tia Aline é boa em  aprender coisas com os alunos, os alunos são eu e os amigos. ele ensna como deve aprender.
tio Nio ensina tanta coisa , ele ensina não briga nada com ninguem
a tia Jô é boa em cantar
tio Vitor é ótimo tocar piano. ele é tão gentil mas ele arrasa no piano eu fiquei espantada
a tia Nena é boa em colocar quem apronta no cantinho
e pra arrumar as coisas ela pede é boa nisso a tia Nena

 

 

estou aqui
na madrugada em voltas com o dia
da janela o que olho me perde
como fios de cabelo, as palavras
vão embora da minha cabeça
outros fieis fixam. aos que chamo
os fios do hoje.

a queda, o tombo
as meadas muito emboladas
as pontas dos fios
des(a)fiando
meus dedos. meus medos.

dentro do ontem doce da casa
contornamos tantos amargos
da vida. os corpos,  do coro ao grito
dança
para onde a queda dos dias corre
na travessa da dor
entre o que nasce e o que morre
caio
de  corpoema antes
da cadeira com o que se mata
o que sangra e bate
no encontro
tudo toca do inesperado que arrebata

o corpo em obras
caldeado em fusões
lampejos que marcam,
as mãos sem pretensão
costuram este agora consagrado
para uma pedagogia pobre
menor
que cai
que busca ajuda no ar do colchão
para não criar escaras
as fendas, os buracos
cavar

na altura do mato

fomos para o fundo da praia.
no sentido do rio.
andamos até o esquecimento pelo caminho
das pessoas que se dão com capivaras.
havia uma ponte que estava quebrada.
alguém concertava.
encontramos, ciclistas, gaivotas. caranguejos.
uma fila de horizonte: eram  lagartas
no galho suspenso.
vestimos a saia verde do mangue
cerca viva nos  premiando
curva hipnotizante
dança dos contornos, nas ondas da pele corrente.
a água do rio, PerequÊ.
os  brilhos  podíamos ver só,
daquele ângulo. mais baixo,
escondidos, pra fumarmos mato
na altura do mato
mesmo estreito
vasto para  voos
que alinham com o sol
na curva

para salvar os sentidos
do que não faz bem
quando a vida assusta
como um soco
que é lançado de saturação
ou da boca ácida
que corta o ouvido
em palavra  quando lâmina

como escapar
do que  te amo
no que me fez
radiante ou poço
 alegre ou sofrer
não nego  tua nem minha
crueldade que nos abateu
até perdê-la
dos braços não te lanço
como alguém que é por decisão
de dia e hora escolhidos
retirado do peito

 

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